As As percepções dos alunos do Curso de graduação em enfermagem sobre a Política Nacional de Saúde Integral LGBT: Enfoque ao público transexual.

Enfoque ao público transexual.

  • Margareth Nunes nunes faesa
  • Wânia Ribeiro Trindade

Resumo

A Política Nacional de Saúde Integral LGBT oferece soluções ao preconizar a ampla capacitação e estratégias de acolhimento aos profissionais de saúde, sendo o enfermeiro parte desse conjunto. Segundo Calderaro, Fernandes e Mello (2008), no campo próprio à saúde da população LGBT, é necessário que os princípios de universalidade, integralidade e equidade constitutivos do Sistema Único de Saúde, sejam materializados em políticas públicas de enfrentamento da homofobia e da heteronormatividade, que induz profissionais de saúde a atenderem os usuários dos serviços públicos e privados como heterossexuais conformados às normas de gênero, ocasionando situações graves de discriminação e preconceito contra LGBT´s. Do contrário, continuarão a existir barreiras simbólicas, morais e estéticas que impedem o acesso da população LGBT a serviços públicos de saúde de qualidade. As mudanças em curso não são simples e parece não ocorrer na velocidade desejada pelas pessoas que buscam atenção. Diante destes fatos o enfermeiro é um agente efetivador de direitos, sua formação acadêmica deve subsidiar tecnicamente sua atuação. Portanto o tema proposto é atual e relevante, pois visa identificar as percepções dos alunos ingressantes e concluintes da graduação em enfermagem sobre Política Nacional de Saúde Integral LGBT. A) Introdução: O acesso à saúde é um direito universal, previsto na Constituição Federal de 1988. No entanto, a efetivação desse direito é um desafio maior quando se refere aos LGBT´s. Embora haja avanços, como a formulação da Política Nacional de Saúde LGBT, ainda há um longo percurso para a garantia de atendimento qualificado às especificidades desse público. Para além desses entraves, assistimos à precarização decorrente dos desmontes dos equipamentos de saúde, resultando na fluidez quanto à permanência dessas pessoas nos serviços oferecido no SUS, que somados a discriminação pela orientação sexual, raça/cor, situação socioeconômica e aparência física tende a potencializar o processo de exclusão. Nesse último quesito, ressaltamos a população transexual. Em um contexto social onde a inteligibilidade dos corpos reside no gênero binário e na heteronormatividade, quem não se adéqua ao padrão poderá ser considerado doente, como no caso dos corpos trans, cujo acesso aos serviços ainda está ligado a patologização da sua identidade de gênero. Pelo viés da classificação da transexualidade enquanto um transtorno de identidade de gênero, onde é consolidado estratégias de atenção à saúde por onde se acessa serviços públicos de saúde, como o processo transexualizador e os atendimentos relacionados às Infecções Sexualmente Transmissíveis/ AIDS, reforçando o estigma e focalização das políticas de saúde na atenção básica. Nessa perspectiva, ao pensar o processo de exclusão sofrida pela população LGBT, a letra “T” representa o segmento que está submetido às formas mais severas de tensões, quer sejam elas sociais, quer existenciais em virtude do binarismo sexual e inconformidade entre identidade e sexo biológico. Reconhecer as particularidades desse público no atendimento está além da redesignação sexual; mas a compreensão do conceito de equidade enquanto direito preconizado pela SUS, oferecendo dignidade as/aos trans. Nesse trajeto é imprescindível a existência de profissionais que garantam o atendimento humanizado e o devido acolhimento. O despreparo e o desconhecimento da política compromete sua eficácia, portanto, uma boa formação acadêmica pode oferecer vivências que qualificam os estudantes a se tornarem agentes de desconstrução e reconstrução de valores, que não limitam sua prática à limitada visão heteronormativa, mas que rompam com tabus e estigmas, garantindo e ampliando direitos. B)Objetivos: Elaborar uma análise e identificar as percepções e conhecimentos dos alunos ingressantes e concluintes do Curso de Graduação em Enfermagem das Faculdades Integradas São Pedro a acerca da Política Nacional de Saúde Integral LGBT no SUS, com foco específico na atenção à saúde da população trans. C) Metodologia: A metodologia adotada será um estudo de natureza qualitativa. Os dados serão coletados por meio de grupo focal, uma técnica que trata das questões de saúde sob o ângulo social (Minayo, 2004). Os questionamentos serão direcionados ao grupo, por meio de entrevista semiestruturada, com o intuito de identificar se há conhecimento sobre a PNSI/LGBT, a procedência deste saber e sua importância na atuação da enfermagem. Serão selecionados 10 acadêmicos de ambos os sexos, com idades a partir dos 18 anos, matriculados no 2º período da graduação em Enfermagem das Faculdades Integradas São Pedro e 10 alunos do 10º período. C) Resultados e conclusões: Os resultados e conclusões serão apresentados ao término da pesquisa, que ainda está em fase de coleta de dados. D) Referências: ALMEIDA, G. S. Reflexões iniciais sobre o processo transexualizador no SUS a partir de uma experiência de atendimento. In: ARILHA, M.; LAPA, T. S.; PISANESCHI, T. C. (Org.). Transexualidade, travestilidade e direito à saúde. São Paulo: Oficina Editorial, 2010. p. XX – XX. CALDERARO, F.; FERNANDES, B.; MELLO, L. Cidadania TTLBG e o direito à saúde no Brasil. In: ROCHA, D. et al. (Orgs.). Diversidade e equidade no SUS: parceria universidade e educação popular. Goiânia: Cânone, 2008.MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo: HUCITEC, 2004. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Brasília, DF, 2013.

Publicado
2018-11-13
Como Citar
NUNES, Margareth Nunes; TRINDADE, Wânia Ribeiro. As As percepções dos alunos do Curso de graduação em enfermagem sobre a Política Nacional de Saúde Integral LGBT: Enfoque ao público transexual.. Anais da Jornada Científica e Cultural FAESA, [S.l.], p. 18 - 20, nov. 2018. Disponível em: <http://revista.faesa.br/revista/index.php/jornadaCientifica/article/view/327>. Acesso em: 21 jul. 2019.

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