Aumento de coroa clínica sem retalho - Relato de caso

  • Thayna Quirino de Oliveira Faesa
  • Maria da Glória Bellotti
  • Fausto Frizzera

Resumo

AUMENTO DE COROA CLÍNICA SEM RETALHO – RELATO DE CASO CLÍNICO


 


                   ¹Thayná Quirino de Oliveira*, ¹Maria da Glória Bellotti*, ²Fausto Frizzera**


  1. Graduanda em Odontologia da FAESA Centro Universitário.

  2. Doutor em Implantodontia pela FOAr-Unesp. Especialista e Mestre em Periodontia pela FOAr-Unesp. Professor titular de Periodontia e Implantodontia da FAESA Centro Universitário.

 


Introdução

           A estética tornou-se cada vez mais importante na prática da odontologia e, um sorriso esteticamente agradável não depende apenas de fatores como posição do dente, tamanho e cor, mas também da quantidade de exposição gengival (VAN DER GELD et al., 2007; JANUÁRIO et al, 2008).


             A exposição excessiva da gengiva durante o sorriso, também denominada como sorriso gengival são atribuídos ao aumento gengival, erupção passiva alterada e crescimento vertical em excesso (GARBER e SALAMA et al., 1996). As correções de coroas clínicas curtas devido a essas alterações podem ser realizadas por meio de aumento de coroa clínica estético ou gengivoplastias (MARZADORI et al., 2018).


            A técnica do aumento de coroa clínica estético sem elevação do retalho cirúrgico (flapless) com uma abordagem minimamente invasiva preserva o periósteo e fornece maior suprimento sanguíneo ao tecido, reduzindo a reabsorção óssea e contribuindo para cicatrização de tecidos, com um pós-operatório mais rápido e confortável para o paciente (PONTORIERO e CARNEVALE, 2001).


O objetivo desse artigo é relatar a técnica de cirurgia periodontal estética para aumento de coroa clínica sem retalho, minimamente invasiva para melhores resultados estéticos e biológicos.


Materiais e métodos
 

Paciente T.Q.O, 22 anos, gênero feminino, melanoderma, sem alterações de saúde sistêmica ou local apresentou queixa de insatisfação estética do sorriso devido excesso de exposição gengival dos dentes anteriores superiores.


Após o exame clínico e sondagem óssea, foi feito o planejamento do aumento de coroa clínica nos dentes anteriores superiores por apresentarem erupção passiva incompleta, do 13 ao 23, sendo realizada a gengivoplastia sem utilização de retalho (flapless).


Foram iniciadas as etapas pré-cirúrgicas, com a moldagem inicial da arcada superior para obtenção do modelo de estudo e confecção do enceramento diagnóstico para simulação do tamanho das coroas. Com resina bisacrílica foi confeccionado o mock-up. Foi exposto a paciente uma visualização prévia do resultado, obtendo seu prévio consentimento para realização da cirurgia.


No procedimento clínico foi feito a assepsia extra-oral com Solução Tópica de Iodopovidona 10 % e intra-oral com Gluconato de Clorexidina 0,12%, anestesia com anestésico articaína 2%, técnica infiltrativa no sulco vestibular e lingual (papilas) e, com o guia cirúrgico em boca, foi demarcada com uma sonda periodontal o local das incisões e o contorno com o dorso da lâmina de bisturi.


As incisões para remoção do excesso gengival foram realizadas com uma lâmina de bisturi 15C em bisel interno de 45° em relação à gengiva, alinhando a altura do zênite dos incisivos centrais iguais ao dos caninos, e o incisivo lateral ligeiramente mais abaixo, removendo o excesso gengival a cada incisão com uma cureta gracey 5-6.


Foi realizada uma osteotomia com cinzel após verificar a profundidade de sondagem inferior à 3mm, que é de extrema importância para manter a saúde do periodonto.


Após o fim da cirurgia, foram dadas as devidas instruções de higiene oral e cuidados pós-operatórios, com prescrição de Nimesulida 100mg de 12/12 horas por 3 dias, Paracetamol 750mg de 6/6 horas por 24 horas ou enquanto houver dor e bochecho com Gluconato de Clorexidina a 0,12% 2x ao dia após as refeições por 7 dias. Reavaliado a paciente após 30 dias e 6 meses.


Resultados e Discussão


Nesse caso clínico, o procedimento escolhido foi o aumento de coroa clínica estética sem a realização de retalho, sendo uma técnica minimamente invasiva. É importante que seja realizada a sondagem óssea, para verificar a distância entre a JCE e a COA, onde o nível biológico adequado é de 2 a 3 mm e, quando essa medida for menor, é necessário que seja feita a osteotomia. 


Para o planejamento cirúrgico, a confecção de um enceramento diagnóstico e do mock-up é importante para uma maior previsibilidade do tratamento e seus resultados, além da confecção da guia cirúrgica, com a cópia e molde adequado dos contornos gengivais.


A realização da TCFC combinada com o DSD faz com que o planejamento digital do caso permita uma visualização adequada da distância entre a JCE e a margem gengival, dando uma maior precisão durante o procedimento cirúrgico, permitindo melhores resultados biológico.


Agradecimentos

Agradeço a FAESA, por proporcionar um ambiente de estudo agradável, motivador e repleto de oportunidades. Sou grato à cada membro do corpo docente, à direção e a administração dessa instituição de ensino.


Referências
  1. GARBER, D. A.; SALAMA, M. A. O sorriso estético: diagnóstico e tratamento. Journal Periodontology, v.11, n. 1, p. 18-28, 1996.

  2. JANUÁRIO A.L.; BARRIVIERA M.; DUARTE W.R. Soft tissue cone-beam computed tomography: a novel method for the measurement of gingival tissue and the dimensions of the dentogingival unit. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 20, p. 366-373, 2008.

  3. MARZADORI, MSTEFANINI, M. et al. Crown lengthening and restorative procedures in the esthetic zone. Periodontol 2000, v. 77, n. 1, p. 84-92, 2018.

  4. PONTORIERO, R; CARNEVALE G. Surgical crown lengthening: a 12-month clinical wound healing study. Journal Periodontol, v. 72, p. 841-848, 2001.

  5. VAN DER GELD, P. et al. Smile attractiveness. Self-perception and influence on personality. The Angle Orthodontist, v. 77, p. 759-765, 2007.

Publicado
2018-11-13
Como Citar
DE OLIVEIRA, Thayna Quirino; BELLOTTI, Maria da Glória; FRIZZERA, Fausto. Aumento de coroa clínica sem retalho - Relato de caso. Anais da Jornada Científica e Cultural FAESA, [S.l.], p. 26 - 29, nov. 2018. Disponível em: <http://revista.faesa.br/revista/index.php/jornadaCientifica/article/view/406>. Acesso em: 25 abr. 2019.

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