ABRIGAMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

DESAFIOS PARA ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO

  • MONICA TRINDADE SANTANA FAESA
  • Andressa Lima Santos
  • Keila Barbosa
  • Lorena de Paula Costa

Resumo

Neste estudo relata-se a experiência do Estágio Supervisionado com Ênfase em Educação I e II, do curso de Psicologia da FAESA. Tem como objetivo realizar intervenção psicossocial com crianças residentes em um Abrigo Institucional. O abrigo está localizado em uma cidade que compõe a Região Metropolitana da Grande Vitória. O abrigo é composto de três casas, que possuem a mesma estrutura física: alojamentos e banheiros coletivos, uma área externa com estrutura para lazer. As três casas possuem varanda, refeitório e espaço comuns de circulação. Uma casa acolhe crianças até completaram 12 anos e a outra casa acolhe adolescentes até completarem 18 anos. Na terceira casa realiza-se treinamento e cursos. O acolhimento institucional para crianças e adolescentes tem como objetivo oferecer para crianças e adolescentes uma medida protetiva, de caráter excepcional e provisório. Este trabalho é realizado com um grupo de crianças com idade de 3 a 11 anos que se encontram em processo de institucionalização, a participação no grupo oscila em função de processos de Adoção e reintegração familiar que, ocasionalmente, ocorrem. Os encontros são semanais, com duração de 1 hora, inicialmente estabelecemos o rapport, levantamos alguns pontos através de interação e observações. Trabalha-se com técnicas lúdicas como jogos, brincadeiras infantis, contação de história, desenho, pintura, rodas de conversa. Percebe-se nos trabalhos a importância de trabalhar habilidades como o sentido e respeito às regras, autonomia para realização de tarefas do cotidiano, ressignificação da história de abandono e violência, significação da Adoção, resiliência à condição de vida em uma Instituição. Como resultados percebe-se que a tarefa não é simples, as crianças estão expostas à ruptura de vínculos familiares e desejosas de estabelecer este vínculo por meio do retorno à família de origem ou por meio da Adoção. A questão da falta de liberdade, de limites para intimidade, diretamente associada ao exagero nas normas, pela condição de estar acolhido institucionalmente, foram evidenciados pelas crianças como aspectos negativos. Percebeu-se também pouca capacidade de manejo das experiências emocionais, o que aponta mais um aspecto importante a ser trabalhado com este grupo. Essa temática se torna importante no sentido de oferecer minimamente um ambiente no Abrigo Institucional que atente para as singularidades e que se configure como proteção às crianças acolhidas.

Publicado
2018-11-13
Como Citar
SANTANA, MONICA TRINDADE et al. ABRIGAMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA. Anais da Jornada Científica e Cultural FAESA, [S.l.], p. 78 - 79, nov. 2018. Disponível em: <http://revista.faesa.br/revista/index.php/jornadaCientifica/article/view/473>. Acesso em: 14 nov. 2019.